sexta-feira, 12 de junho de 2015

O namoro no período colonial

                                                    Costumes no Rio de Janeiro, Rugendas


Hoje, namorar não tem mais o mesmo sentido da colônia portuguesa na América. Como tudo ao longo processo histórico sofre mudanças com o namoro não foi diferente. As novelas chamadas de épocas bombardeiam nosso imaginário com imagens que muitas vezes não condizem com a realidade histórica. No imaginário coletivo perdura a imagem da preservação da virgindade, a noiva entrando de branco e casando na Igreja com seu véu, os casamentos arranjados, mulher sendo totalmente submissa ao homem. Mas será que era só isso? Será que não havia quebras das normas morais impostas pelo cristianismo? É o que veremos. Vamos navegar um pouco pelos rios amorosos da História!
Primeiramente, as formas de namorar variavam de acordo com a condição social do casal de "pombinhos". Isso implica afirmar que se alguém estivesse no topo da hierarquia social seu tipo de namoro seria um, bem como, a região onde acontecesse o relacionamento, ou seja, se na área urbana ou rural. Pois bem! A questão da honra feminina era valorizada, sobretudo, nas fazendas patriarcais nordestinas. Quero dizer que a virgindade era um ideal somente desse grupo social, pois não poderia dividir a herança entre filhos legítimos e ilegítimos, logo o casamento era o espaço para a procriação. Dessa forma, sua riqueza não iam para filhos bastardos. Além do mais estes casamentos em maiorias eram arranjados, serviam para unir famílias.Isso era válido para elite. Isso não significava que tanto o homem como a mulher davam uma "escapadinha" de vez enquanto. Todos sabemos que os senhores deitavam-se com suas escravas explorando-as sexualmente e que muitas vezes gerou filhos ilegítimos, por sua vez muitas escravas viam nesse desejo do senhor uma estratégia de sobrevivência e de benefícios para suportar a dureza da escravidão.
Segundo a historiadora Mary Del Priore os outros grupos sociais tinham dificuldade de casar, pois era muito caro e só os abastados poderiam pagar. Sendo assim, viviam amigados esperando o futuro casamento. Esta união era chamada à época de desponsórios de futuros. Também não se preocupavam com a virgindade, pois engravidar a jovem era sinal de fertilidade. Como não tinham recursos para comprar escravos ter filhos significava mais braços para ajudar na lavoura.

 "Pelas leis da Igreja os rapazes podiam casar-se aos catorze anos e as meninas aos 12 anos" (DEL PRIORE, Mary). Mas segundo os demógrafos historiadores essa não era a regra. Geralmente casava-se por volta dos 20 anos de idade. Na elite às vezes as as esposas eram tão jovens que era necessário esperar algum tempo para o casal manter relações sexuais.  As jovens pobres arranjavam uns "esquemas" com os jovens ricos para engravidar e conseguir algum dinheiro em troca. Vejam que essa história do golpe da barriga é antiga.

                                                                 Onde se namorava?      
Sabemos que neste período a moral cristã era bem forte, mas como hoje os namorados davam aquele "jeitinho". Namorava-se em tudo que era lugar: nas praças, praias, quintais, terrenos abandonados. Como nas Igrejas acreditava-se que todos iam rezar isso ajudou a facilitar encontros amorosos nesses locais. Numa procissão, por exemplo, surgia aqueles beliscões e algumas pisadas nos pés. Esses simples gestos equivalem aos beijos ardentes de hoje. Ficavam apaixonados!
Moças que estavam com dificuldade para arranjar um namorado apelavam para o "Santo Casamenteiro". Ainda hoje este costume é percebido em nossa sociedade. 

                                                                  E os escravos?
Ao contrário do que se possa imaginas os escravos também namorava e casavam. A igreja até incentiva os casamentos e a constituição de famílias escravas. Os senhores ricos costumavam casar os escravos no dia do batizado dos seus filhos. A festança era boa: batuques, violas, atabaques, rapaduras e cachaças. Muitos escravos endividavam-se para promover o casamento dos seus filhos. Sendo assim, deveriam trabalhar dobrado para pagar suas dívidas com os senhores.
Portanto, as relações amorosas mais duradouras ou os namoricos permanecem, mas adaptando-se ao contexto histórico onde estão inseridas. Percebe-se mudanças e permanências nos namoros. Agora até namoro virtual existe!rs. O que vem pela frente não cabe à História dizer!

Professor Bruno Rafael

                                                              Referências

DEL PRIORE, Mary. História do amor no Brasil. São Paulo: Contexto, 2005;

_________. A família no Brasil Colonial. São Paulo: Moderna, 1999.

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