sábado, 20 de junho de 2015

O casamento na Grécia antiga


Hoje refletiremos um pouco sobre o casamento na Grécia antiga. Esta instituição é muito antiga e não foi inventada por nenhuma igreja. Aqui o entendemos como um ritual de passagem para a vida adulta, comum nas sociedades antigas e atuais. A ciência histórica é interessante, pois revela aspectos bem diferentes, mas também aspectos que de formas diferentes permanecem em diversas culturas como na nossa. Aproveite para viajar na história desta instituição milenar!
Na vida dos gregos antigos era comum participar de vários rituais até a sua morte e o casamento era um bastante importante, pois os jovens completavam a transição para a vida adulta. Esta instituição era tão importante que no fundo o o jovem tornava-se cidadão somente após casar. Para a moça o casamento dava-lhe a possibilidade de cumprir seu papel definido pela a sociedade, ou seja, ter filhos.
Segundo Florenzano (1996) apesar das variações de local para local o casamento tinha fins específicos: união do homem e da mulher com o fim explícito de procriar filhos legítimos e dar, portanto, continuidade ao oikos do marido assegurando a propriedade e sua continuidade.
Em Atenas antes do casamento propriamente dito exigia uma série de rituais de preparação. O enguíesis, contrato que consistia na entrega em casamento da moça ao rapaz pelo seu quírios (pessoa que tinha autoridade sobre a moça). Era uma promessa feita oralmente, porém formal. Ficava presente durante o rito o quírios (senhor) e o noivo, como também, testemunhas de ambos os lados. Este rito era concluído com um aperto de mão e o pronunciamento de algumas fórmulas próprias.
Um elemento indispensável para a materialização do casamento era o dote, não era uma exigência jurídica, mas cultural. Esses eram "constituídos por dinheiro ou por bens imóveis avaliados em dinheiro. Algumas vezes o dote podia ser dividido: uma parte o noivo recebia no ato da enguiesis ou ao casar-se e a outra quando o falecimento do sogro" (FLORENZANO, 1996, p.45). Este dote era uma forma de recompensar o noivo pela manutenção da mulher. Existia divórcio na Grécia antiga? Sem dúvida e caso isso ocorresse o marido deveria entregar a mulher ao seu antigo quírio juntamente com seu dote. Interessante não é?

Preparativos para o casório

Inicialmente escolhia-se a data, geralmente, no Gamelión (mês dedicado a deusa do casamento, Hera). Não tão diferente de hoje em que muitas escolhem casar em maio (mês das mães, noivas e na liturgia católica mês dedicado a Maria) e, ainda escolhia-se na lua cheia, pois acreditavam que seria mais propícia à fecundidade. A festa do casório era precedida por vários preparativos,

"No dia anterior ao casamento a noiva dava uma espécie de adeus à sua vida de menina, consagrando aos deuses protetores do casamento (Zeus, Hera, Artemis, Afrodite, Apolo e Peitô) seus brinquedos e objetos familiares, que a haviam cercado durante a infância. Sabe-se também  que nessa ocasião era oferecido, independentemente pelas sua famílias, um sacrifício a Ártemis, às Moiras ou a Hera, um ritual que a jovem cortava um cacho dos seus cabelos para consagrá-lo à divindade escolhida, às vezes enrolado em fuso de fiar" (FLORENZANO, 1996, p.47). 

Dentro dos preparativos havia os banhos dos noivos. A noiva recebia um vaso especificamente para guardar a água do banho. O líquido era trazido de um lugar especial em cortejo feito pelos parentes de ambos. O banho em si,

"Tinha o sentido de purificar e proteger os noivos antes de uma passagem importante, como era o casamento, , de sorte que não houvesse nenhuma conspurcação durante um ritual de transição (...) O casamento , realizado de acordo com os costumes, não implicava necessariamente nenhum tipo de impureza, mas o banho era como que uma purificação necessária à passagem de um estado a outro" (FLORENZANO, 1996, p. 49).

Os noivos eram vestidos cuidadosamente. O noivo vestia-se de lã tão fina que brilhava; na cabeça era utilizada uma coroa com folhas (fertilidade) e no corpo usava-se mirra para o perfume. As noivas eram bem adornadas: vestidos bordados, penteados diferenciados, sandálias especiais, coroa de metal, colares, cinto adornado e um véu que lhe cobria o rosto até o momento oportuno. Não se se as noivas atrasavam tanto quanto hoje em dia. Assim como hoje elas arrumava-se bastante.

As festança e o casamento

Todo casamento incluía uma festa tanto na casa do noivo quanto da noiva com sacrifícios às divindades e banquetes em que familiares e amigos comiam e bebiam. Muito semelhante as casamentos em nossa sociedade não é? Em tempos de crise financeira a coisa está mais simples. durante a refeição acontecia muita música e dança.
A parte principal do casamento era o ritual  do cortejo nupcial, quando a noiva ia da casa de seu pai para a do noivo. Era realizado à noite e era acompanhado com flautas, cânticos de casamento (himeneu), ou seja, era uma festa ao ar livre. O objetivo era espantar os maus espíritos (visages e mizuras, na nossa região). Segundo alguns documentos antigos a noiva deveria carregar uma panela de torrar grãos ou então uma peneira, provavelmente para provar a capacidade da noiva de manter uma casa.
Na nova casa a noiva participava de rituais de incorporação à nova família. Um dos ritos era a cataquísmata, que era  derrubar frutas secas, fogos, nozes, moedas, sobre o noivo e noiva desejando prosperidade. Depois os noivos iam para o quarto. Um dos amigos do noivo ficava de guardião na porta, enquanto rapazes e moças cantavam a noite inteira obscenidades e zombarias.
Percebe-se que o casamento era um ritual importante naquela sociedade. Como você observou não havia nenhuma Igreja, padre, pastor, juiz que realizava este rito. Era um ritual privado com a participação da família e alguns amigos do noivo.
Portanto o casamento cumpria sua função social, ou seja, o homem tornava-se de fato adulto e a mulher completava-se como ser social após o primeiro filho. Não esqueçamos que a função da mulher era casar e ter filhos. Pode parecer estranho para nós, mas era a mentalidade desse povo e não cabe a nós o julgamento, mas procurar compreender. A partir da leitura você será capaz de perceber as diferenças e as semelhanças entre o casamento na atualidade e o grego antigo. Boa aventura pela história!

Por professor Bruno Rafael

Referência

FLORENZANO, Maria Beatriz Borba. Nascer, viver e morrer na Grécia antiga. São Paulo: Atual, 1996.

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