quarta-feira, 17 de junho de 2015

Existiu escravidão no Egito? Os hebreus foram escravizados?

Durante muito tempo parecia irrefutável a existência da escravidão no Egito como mão de obra na construção de grandes obras públicas organizadas pelo faraó. Inicialmente a arqueologia egípcia pautou-se unicamente em relatos bíblicos, porém esta ciência desenvolve-se e estudos recentes questionam a existência dessa forma de exploração do trabalho.
A história é interessante, porque não existe uma verdade pronta e acabada, mas versões ou narrativas dos fatos baseadas em diversas fontes. No antigo testamento é narrada a história de José que foi governante do Egito e a de Moisés que foi o libertador de milhares de hebreus no Egito. Atualmente a escravidão em geral é questionada a partir de novas fontes e por consequência a presença dos hebreus enquanto escravos.
Quero dizer que os pesquisadores têm dúvidas. Uns defendem a existência e outros a refutam. Não tenho condições de afirmar com toda certeza se sim ou se não. Por isso vou apresentar o questionamento que não significa que acredito ou não. São versões.
Única fonte material e escrita que fala que os hebreus foram escravos no Egito é a bíblia. Até agora não foram encontrados nenhum tipo de vestígio material ou qualquer texto escrito que falam explicitamente dessa situação vivida por este povo. Por isso nos perguntamos será que existiu um Êxodo da forma que é narrado na bíblia? Vejamos esta citação de uma arqueóloga especialista em Egito antigo:


"Entre Arqueólogos e Egiptólogos quase existe um consenso de que não existiu o êxodo bíblico no Egito, e nem sequer bairros israelitas, no entanto, a “Estela de Merenptah” (ou como presunçosamente é chamada de “Estela de Israel”), que fala sobre as vitórias deste faraó contra os inimigos do Egito, faz uma listagem dos países derrotados por Merenptah, faraó da XIX Dinastia. Nesta declaração, dentre muitos hieróglifos está um conjunto que pode estar falando de Israel. Por este hieróglifo estar acompanhado pela a imagem de um homem e uma mulher (e não dos símbolos que indicam um país), acredita-se que estaria falando de um povo nômade ou uma tribo, mas não existe certeza quando ao seu significado. Esta estela foi encontrada no templo mortuário de Merenptah e originalmente pertencia a Amenhotep III da XVIII Dinastia. Hoje ela pode ser visitada no Museu Egípcio, no Cairo"( MARCIA, 2011).

Estela de Merenptah
As pesquisas recentes dão conta que na verdade os construtores das grandes obras no Egito (pirâmides, templos, diques, canais) foram camponeses egípcios especializados (artesãos) que em troca de salário (alimentos) ou como forma de pagar impostos ao faraó realizavam estas obras. Alguns poucos hieróglifos falam supostamente sobre escravos, mas estes eram poucos numerosos (geralmente prisioneiros de guerras) e trabalhavam nas minas.
Túmulos recentemente encontrados próximos às pirâmides, supostamente, dos construtores dão conta que eram camponeses, os félas.
Portanto existem duas teorias: uma que defende a existência da escravidão e outra que afirma que se existiu escravos eram poucos, portanto, o êxodo é considerado um "mito"  e os construtores das grandes obras seriam os camponeses que eram a imensa maioria da população. Bem, cabe a você escolher qual "versão" você considera como verdadeira. Quero alertar que no ENEM de 2011 o elaborador de uma questão sobre o Egito antigo adotou a teoria da existência da escravidão. Fique ligado! 

Por professor Bruno Rafael

Referências

FERREIRA, Olavo Leonel. Egito: terra dos faraós. São Paulo: Moderna, 1992;

http://arqueologiaegipcia.com.br/2011/04/24/exodo-hebreu-no-egito-aconteceu-ou-nao/


23 comentários:

  1. estranho de e o relatos biblicos como uma população cresceu tanto mais do que os egipcios.

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    1. Isso mesmo querida. Além disso os documentos egípcios não falam de escravidão em massa e achados arqueológicos recentem revelam que não eram escravos. Porém, a Bíblia não é um livro de História no sentido moderno, mas um livro cujo principal objetivo é alimentar e por isso usa-se muitas vezes de uma linguagem simbólica. As metáforas atingem p coração.

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    2. Qualquer população cresceu mais que os Egípcios. No entanto, quem dera a nós hoje o desenvolvimento político, religioso, e ético dos Egípcios. Para não falar que ainda estamos tentando descobrir o que são realmente as pirâmides. Ou seja, crescemos em número é não em qualidades.

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    3. Acontece que eles viveram lá mais de 400 anos, não eram escravos, eram servos, são descendentes de José. A Bíblia não afirma que eles sempre foram escravos, no livro de Êxodo é dito que o Faraó viu que a população hebreia estava crescendo, e ele temeu, pensando que os hebreus pudessem se rebelar contra o povo egípcio. Daí começou a forçar a barra com os hebreus, pra que eles fossem embora do Egito, mas eles não iam, e quanto mais forçavam a barra, mais Deus se irava contra os Egípcios, mandando pestes, escuridão, doenças, etc.

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  2. onde existe maior crescimento demográfico nas favelas ou periferias ou nos bairros nobres? isso talvez sirva para compararmos o povo hebreu e o povo egípcio.

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  3. Sabemos que um povo foi escravizado para que existisse o que foi deixado do Egito para nos, e sabemos que os recursos para a criação das inúmeras obras que muitos arqueólogos hoje estudam foram necessário de alguém para criar las, e quando falo alguém não falo uma ou duas ou até mesmo com, mas falo em uma quantidade elevada, por que para movimentar rochas, esculpir e fabricar tijolos e necessário uma elevada quantidade de gente ainda mais em uma época tão dura para ser vivida, onde a saúde era precária, e as condições eram ao contrário. O povo hebreu sempre teve em mente que seu povo se multiplicaria como as estrelas do céu e as áreas da beira do mar. Podemos afirma com essa intuição que era um povo grande. E ao mesmo tempo difícil de entender como conseguiram viver em uma época tão dura, e como conseguiram multiplicar em situação tão crítica sendo escravizados com falta d água e alimento, mas não podemos deixar de lado que povo hebreu era um povo unido e que se foram escravizados pelos egípcios os egípcios sabiam que eles eram importantes e com certeza influenciaram eles para o seu crescimento. Por que quanto mais escravos mais mão de obra. Em fim acredito eu que sim houve um crescimento em grande massa na escravidão por que foi necessário para o desenvolvimento e se o povo hebreu foi escravizado no Egito com bases e fontes podemos dizer que sim, mas histórias são histórias cabe a nós sabermos em que acreditar.

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    1. Obrigado por sua posição. Como escrevi no texto: não existem fontes suficiente para afirmar com toda certeza que os hebreus foram escravizados no Egito. Com relação à bíblia a exegese já demonstrou que estes textos não devem ser lidos literalmente. Quando se fala em grandes multidões não necessariamente é no sentido numérico.
      E com um pouco de conhecimento histórico qualquer pessoa pode perceber que na antiguidade Israel não era um povo grande, mas pequeno. Comparado com o Egito e os povos da mesopotômia, Israel era minúsculo.
      Na antiguidade oriental o modo de produção não era o escravista, mas o modo de produção asiático caracterizado pela importância dos rios e da força de trabalho coordenada pelo Estado. Em geral as terras eram do Estado, trabalhadores camponeses( que recebiam algo em troca ou trabalhavam como forma de pagar impostos aos reis). Existiam escravos, mas nunca foram tão numerosos.

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  4. Assunto delicado para abordar... Acredito que quando se expõe o relato bíblico sob uma ótica de racionalidade, muitos aspectos ditos como históricos, terão e serão, oportunamente revistos.

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  5. Se a abordagem feita se ater a dados historicos e evidencias arqueologicas,a existencia de escravidao no antigo Egito cai por terra junto com as lendas biblicas que tem na verdade o proposito de construir o mito do povo oprimido e escolhido por ¨DEUS¨

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  6. Devemos desconfiar de tudo, dos relatos dos perdedores(escravo) e do relato dos ganhadores...O Êxodo pode ter sim existido mas não na proporção e detalhamento que nos induz a versão Bíblica

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  7. A probabilidade do êxodo ter existido é muito maior que o contrário, é bom lembrar que a narrativa acontece dentro de um contexto de domínio dos hicsos sobre os nativos do Egito, e desta feita, como os hebreus eram da mesma campo linguístico, tranquilamente poderiam ter migrado nessa época, e depois dos egípcios reconquistarem o poder, certamente surgiria a possibilidade de escravizar aqueles que colaboraram com os invasores, no caso em tela os hebreus.

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  8. É mais provável que tenha existido o Êxodo do que o contrário, quem dos povos antigos escreveu sobre sua própria escravatura, em geral os relatos na Estela são de vitória e não de derrota, ademais Maneton de Alexandria certamente teria conseguido desmentir, visto que odiava os Hebreus.

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  9. e os construtores das grandes obras seriam os camponeses que eram a imensa maioria da população.

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  10. Chegaram ao Egito, 66 israelitas, por influencia de José. Após a troca de faraó e a perda de status do israelitas, este se transformaram em escravos. 400 anos depois, no exodo, sairam 50.000 pessoas, sob comando de Moises, que abdicou da monogamia e liberou mais mulheres por homem ( na epoca a relação era de 7:1 mulheres e homens), cujo objetivo é aumentar rapidamente a população de israelitas, senão o risco de sucumbirem perante povos mais numerosos é real. Ao final do exodo, mais de 500.000 israelitas chegaram a Canaã. As mulheres chegavam a ter de 10 a 15 partos durante a vida e eram excelentes parideiras por ter um quadril largo, diferente das egipcias de quadril estreito que impunha não mais de 2 partos .

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  11. A Arqueologia trabalha com evidências materiais (físicas). É no mínimo estranho que após tanto trabalho arqueológico na região não tenham encontrado evidências que comprovem essas informações de uma grande população hebreia vivendo como escrava. Isso apenas fortalece a ideia de que os relatos sobre o êxodo tem muito mais um papel de fortalecimento da identidade do povo hebreu, que foi construída em torno dos mitos dispostos no velho testamento, algo que é extremamente importante para a sobrevivência de um povo. "Mitologia é sempre a religião do outro" ...

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  12. Se os hebreus passaram 400 anos no Egito. Depois desse tempo não havia mais judeus, apenas descendentes, e como reconhecê-los? Quantas gerações já haviam passado? o Êxodo, então, foi de egipcianos para a terra de Cannã. E não a volta dos Judeus para a terra prometida. É só uma dúvida, não sou estudiosa da matéria.

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  13. mas os 400 anos de escravidão relatadas na bíblia, não foram no Egito e sim nas Américas.

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  14. Muito bom mesmo esse texto, é claro temos que deixar o sentimento religioso de lado e observar pelo ponto de vista histórico a escravidão dos negros foi mil vezes pior do que a suposto escravidão dos hebreus, porem não vou negar que creio que ela existiu, mas do ponto de vista hebreu e o estudo da historia nos possibilita isso a busca da verdade real e pra isso tenho que conhecer os dois lados o ruim e que vemos apenas um lado da historia e tomamos como verdade absoluta isso e errado Parabéns pela postagem Professor

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  15. Em relação a religião:
    As pessoas preferem acreditar num livro do que colocar questões sobre a mesma. E mesmo que você argumentar todas as coisas que a arqueologia desvenda, as pessoas não vou aceitar , sabe por que ? Por que a vida delas é baseada nessas crenças. E admitir que essas crenças não fazem sentido seria como tirar o chão dos seus pés e perder a base e os motivos de viver , por isso as pessoas preferem ignorar essas coisas e continuar com aquilo que já acreditam, e dizer que você está possuído pelo demónio.

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  16. Se os hebreus foram realmente maltratados no Egito, a ponto de serem escravizados, por que o Deus deles diria em Deuteronômio 23:7 "... nem aborrecerás o egípcio, pois estrangeiro foste na sua terra" ? Ora, se não era para aborrecer, muito menos amaldiçoar o povo egípcio, de onde vem a ideia de que foram escravizados em massa? Outra coisa: se você soubesse que um povo era ruim, mas tão ruim a ponto de escravizar, matar, torturar, por que o Deus dos hebreus iria aparecer a José e mandar ele e Maria fugirem para o Egito, como lugar de refúgio? Com certeza os judeus teriam traumas históricos só em pensar retornar às margens do Nilo, no nordeste da África. Realmente falta muita base histórica sobre o relato do Êxodo tal qual nos vem sendo repassado pela cultura judaica. Outro ponto: Se Deus fala para não desprezar o egípcio e nem amaldiçoá-lo, por que esse mesmo Deus teria enviado dez terríveis pragas malditas sobre o Egito? Essas são questões curiosas. Os que foram criados ouvindo os relatos judaicos certamente ficam horrorizados com as descobertas arqueológicas, e só lhes restam dois caminhos: burlar a ciência, utilizando argumentos de arqueólogos cristãos, ou dizer que todos os que discordam dos relatos bíblicos são simplesmente filhos do diabo.

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  17. DEUTERONÔMIO 23:7 diz para os hebreus não aborrecerem os egípcios, pois foram estrangeiros em sua terra. Ora, se os egípcios eram cruéis como nos repassa a narrativa judaica, por o Deus Verdadeiro de Moisés iria afirmar isso, uma vez que esse mesmo Deus em outras ocasiões mandava eliminar povos inimigos de Israel? Por que tanta contradição? A resposta é simples: porque se trata de uma narrativa judaica, criada, assim como todos os povos antigos tiveram suas lendas, seus mitos etc. etc. etc.

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  18. Não passou de um grupo pequeno insatisfeito com meia dúzia de soldados correndo atraz....
    que chegaram no grupo que realmente viria a fundar Israel e dramatizaram suas fulgas...
    foi virando mito, lenda e escritura...
    na roça em que eu me criei até os 15 anos há quem garanta que viu assombração e ate lobisomem. ..

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