quinta-feira, 2 de julho de 2015

O casamento em Esparta

Sabemos que na pólis de Esparta a mulher possuía mais liberdade que as de Atenas. Administravam os bens do marido quando estavam em guerras, tinham propriedades e era incentivada à praticar exercícios físicos para gerar filhos saudáveis com o objetivo de ser bons guerreiros. Mas o que trataremos neste pequeno texto é o casamento em Esparta. Os historiadores não dispõem de muitos documentos sobre este rito. Mas Plutarco em sua obra Vida de Licurgo relata o casamento em Esparta.
Normalmente, uma mulher casava com cerca de 18 anos de idade, momento em que ela assumia o seu principal papel na sociedade: produzir saudáveis e vigorosos bebês. A fim de consumar um casamento, o ritual espartano implicava que o futuro marido simbolicamente “raptasse” a sua noiva. Ele cortava-lhe o cabelo rente, vestia-a como um homem, e levava-a para a casa comunal que dividia com outros soldados. Depois de passarem a noite juntos, a noiva voltava para a casa de sua família, onde continuaria a viver até que o seu marido atingisse a idade de trinta anos. Conta Plutarco:

"Se casavam por rapto com elas, não pequenas e sem idade para o casamento, mas sim quando já se encontravam na flor da vida e maduras. A raptada era recebida por uma mulher que lhe raspava a cabeça e depois de vesti-la com um manto de homem e umas sandálias, deitava-se sobre um monte de palha, sozinha e sem luz. O noivo, nem bêbado e nem cansado, mas sim sóbrio, por ter ceado como sempre na companhia dos companheiros, entra e solta-lhe o cinto, carregando-a nos braços para a cama. Depois de passar com ela algum tempo, não muito, ia com cautela dormir com os demais jovens onde dormia sempre. E, daí em diante, comportava-se de igual modo, passando o dia e descansando com os da sua idade e visitando a noiva às ocultas e com cuidado, cheio de vergonha e temeroso de que os outros percebessem; a noiva também encontrava uma maneira e cooperava para para que ambos se encontrassem no momento oportuno, furtivamente. Faziam isso por não pouco tempo, mas sim tanto que a alguns até lhes chegava a nascer os filhos antes de que contemplassem à luz do dia as suas próprias esposas".

Por professor Bruno Rafael

Referência
FLORENZANO, Beatriz Borba. Nascer, viver e morrer na Grécia antiga. São Paulo: Atual, 1996.

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