domingo, 13 de dezembro de 2015

CAUSAS DA IMPLANTAÇÃO DO TERRITÓRIO FEDERAL DO AMAPÁ.









Descaso do governo paraense em relação à região o que levou os munícipes de Mazagão, Macapá e Montenegro (atual Amapá) a pedir autonomia administrativa que de pronto foram negadas pelos governos central e estadual( Pará);
Torna-se forte a ideia de garantir a soberania nacional por meio da ocupação das fronteiras no final da década de 30, logo o território facilitaria este objetivo;
Fatores geopolíticos, pois o contexto era de segunda guerra e era necessário proteger as áreas fronteiriças e estratégicas ( lembrando que já em 1942 os americanos haviam construídos uma base aérea na região do Amapá).
Em 13 de Setembro de 1943 o Ditador Getúlio Vargas criou o território federal do Amapá e outros com o discurso de integração nacional e desenvolvimento das regiões inóspitas. Este escolhe o militar Janary Gentil para ser o governador do território.

Por professor Bruno Rafael

sábado, 12 de dezembro de 2015

A concepção do natal nos Padres da Igreja




Todos os anos ao chegar o mês de dezembro somos irremediavelmente tomados pelo “espírito” natalino, ou seja, clima de festas, confraternizações, filantropia, enfeites e claro o consumo desenfreado. Sob a égide do capitalismo o período natalino é marcado por idas e vindas ao templo shopping onde o deus mercado é cultuado. Dessa forma, a voz dos Padres da Igreja que foram pessoas que viveram entre os séculos II e VII e com seus escritos e testemunhos contribuíram para o aprofundamento e desenvolvimento da fé cristã.
Infelizmente muitos escritos perderam-se pelos caminhos da história, no entanto, a reflexão sobre a encarnação do verbo divino chegou até nós. O natal de Jesus percebido pelos Padres faz-nos recordar do sentido da natividade do mestre. Sem dúvida a preocupação principal não foi o natal, mas o mistério da Páscoa do Filho de Deus.
O papa S. Leão Magno que foi pontífice entre 440 – 460 num dos seus sermões sobre o natal afirmou:
A bondade divina sempre olhou de vários modos e de muitas maneiras pelo bem do gênero humano, e são muitos os dons da sua providência, que na sua clemência concedeu nos séculos passados. Porém, nos últimos tempos superou os limites da sua habitual generosidade, quando, em Cristo, a própria Misericórdia desceu aos pecadores, a própria Verdade veio aos extraviados, e aos mortos veio a Vida. O Verbo, co-eterno e igual ao Pai, assumiu a humildade da nossa natureza humana para nos unir à sua divindade, e Deus nascido de Deus, também nasceu de homem fazendo-se homem.

Neste texto de S. Leão Magno enfatiza a beleza da bondade divina que por puro amor Deus desceu do céu para resgatar a natureza humana e uni-la  definitivamente à verdadeira imagem do Pai. Já S. Inácio de Antioquia por volta do ano 100 referindo-se ao nascimento de Cristo declarou:

No firmamento brilhou uma estrela maior do que todas as outras! A sua luz era indescritível. A sua novidade causou estranheza. Mas todos os demais astros, incluindo o Sol e a Lua, fizeram coro à Estrela. Esta, porém, ia arremessando a sua luz por sobre todos os demais. Houve, por isso, agitação. Donde lhes viria tão estranha novidade? Desde então, desfez-se toda a magia; suprimiram-se todas as algemas do mal. Dissipou-se toda a ignorância; o primitivo reino corrompeu-se, quando Deus se manifestou humanamente para a novidade de uma vida eterna.

O bispo de Antioquia chama-nos atenção para o aspecto libertador do acontecimento e S. Efrém, teólogo e poeta sírio do século IV que nos deixou um vasto conjunto de poemas e textos sobre o Natal, retoma esta convicção de S. Inácio quando vê no “menino que se encontra na manjedoura … aquele que rompeu o jugo que a todos oprimia”.

Interessante o que Santo Agostinho diz sobre o menino divino que irrompe a noite escura pela qual a humanidade passava e desperta o silêncio existencial humano:

mesmo sem dizer nada, deu-nos uma lição, como se irrompesse num forte grito: que aprendamos a tornar-nos ricos nele que se fez pobre por nós; que busquemos nele a liberdade, tendo Ele mesmo assumido por nós a condição de servo; que entremos na posse do céu, tendo Ele por nós surgido da terra.

O grande Agostinho refere-se a Cristo como o verdadeiro sol da justiça Ele é aquele que tira a humanidade das trevas:
Reconheçamos o verdadeiro dia e tornemo-nos dia! Éramos, na verdade, noite quando vivíamos sem a fé em Cristo. E uma vez que a falta de fé envolvia, como uma noite, o mundo inteiro, aumentando a fé a noite veio a diminuir. Por isso, com o dia de Natal de Jesus nosso Senhor a noite começa a diminuir e o dia cresce. Por isso, irmãos, festejemos solenemente este dia; mas não como os pagãos que o festejam por causa do astro solar; mas festejemo-lo por causa daquele que criou este sol. Aquele que é o Verbo feito carne, para poder viver, em nosso benefício, sob este sol: sob este sol com o corpo, porque o seu poder continua a dominar o universo inteiro do qual criou também o sol. Por outro lado, Cristo com o seu corpo está acima deste sol que é adorado, pelos cegos de inteligência, no lugar de Deus que não conseguem ver o verdadeiro sol de justiça.

Interessante que o bispo de Hipona afirma a verdadeira alegria é Cristo. No império romano era comum o culto a uma divindade representada pelo sol, porém o bispo contrapõem essa divindade com o verdadeiro sol que é Jesus.

Segundo S. Máximo, bispo de Turim no século IV,

Jesus é o novo sol que atravessa as paredes, invade os infernos, perscruta os corações. Ele é o novo sol que com os seus espíritos faz reviver o que está morto, restaura o que está velho, levanta o que está decadente e purifica ainda, com o seu calor, aquilo que é impuro, aquece o que está frio e consome o que o que não presta.

A exortação de S. Máximo turinense de como preparar-nos para o natal do Senhor é sempre atual:

Preparemo-nos pois, irmãos, para acolher o Natal do Senhor, adornemo-nos com vestes puras e elegantes! Falo, claro está, das vestes da alma, não do corpo… Adornemo-nos não com seda, mas com obras boas! Pois as vestes elegantes ornam o corpo, mas não podem adornar a consciência; pois seria muito vergonhoso trazer sob elegantes vestes elegantes, uma consciência contaminada. Procuremos acima de tudo embelezar os nossos afetos íntimos, e poderemos então vestir belas roupas; lavemos as manchas da alma para usarmos dignamente roupas elegantes! Não adianta dar nas vistas pelas vestes se estamos sujos em pecados, porque quanto a consciência está escura, todo o corpo fica nas trevas. Temos, porém, com que lavar as manchas da nossa consciência. Pois está escrito: Dai esmola e tudo será puro em vós (Lc 11,41). É importante este mandamento da esmola: graças a ele, ao operarmos com as mãos ficamos lavados no coração.

Parece que a preocupação meramente com o exterior não é de hoje. Natal virou sinônimo de status social em que as disputas pela melhor roupa é a tônica do período. O Natal é o grande acontecimento para toda humanidade não somente para um povo ou cultura, mas para todos. Ela é a festa de todos pobres ou ricos. Segundo S. Leão Magno:

Nasceu hoje, irmãos, o nosso Salvador. Alegremo-nos! Não pode haver tristeza quando nasce a vida; a qual, destruindo o temor da morte, nos enche com a alegria da eternidade prometida. Ninguém está excluído da participação nesta alegria; a causa desta alegria é comum a todos, porque nosso Senhor, aquele que destrói o pecado e a morte, não tendo encontrado ninguém isento de pecado, a todos veio libertar. Exulte o santo porque está próxima a vitória; rejubile o pecador, porque é convidado ao perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida… Por isso é que, quando o Senhor nasceu, os anjos cantaram em alegria ‘glória a Deus nas alturas’ e anunciaram ‘paz na terra aos homens de boa vontade’. Porque veem a Jerusalém celeste ser formada de todas as nações do mundo, obra inexprimível do amor divino, que, se dá tanto gozo aos anjos nas alturas do céu, que alegria não deverá dar aos homens cá na terra?

Jesus é a grande sabedoria e a verdade. Sempre o ser humano buscou a verdade, porém por caminhos nem sempre éticos. Os Padres da Igreja são reconhecidos como grandes filósofos que souberam enfrentar ou conciliar a fé cristã com a filosofia na antiguidade. O grande Agostinho afirma:

Chama-se dia do Natal do Senhor a data em que a Sabedoria de Deus se manifestou como criança e a Palavra de Deus, sem palavras, imitou a voz da carne. A divindade oculta foi anunciada aos pastores pela voz dos anjos e indicada aos magos pelo testemunho do firmamento. Com esta festividade anual celebramos, pois, o dia em que se realizou a profecia: A verdade brotou da terra e a justiça desceu do céu (Sl 84,12).

Maria, mãe de Jesus, não foi esquecida das reflexões desses pensadores cristãos,

Neste dia, o Verbo de Deus revestiu-se de carne e nasceu de Maria virgem. Nasceu de modo admirável... Donde veio Maria? De Adão. Donde veio Adão? Da terra. Se Adão veio da terra e Maria de Adão, também Maria é terra. E se Maria é terra, entendemos quando cantamos: a verdade brotou da terra.

Enfim o que celebramos no natal? S. Gregório Nazianzo responde:

Isto celebramos hoje: a vinda de Deus ao meio dos homens, para que, também nós cheguemos a Deus… celebremos, pois, a festa: não uma festa popular, mas uma festa de Deus, não como o mundo quer, mas como Deus quer; não celebremos as nossas coisas mas as coisas daquele que é nosso Senhor…

Como celebrarmos como cristãos o natal de Jesus? Para tanto a resposta do bispo de Constantinopla do século IV é bastante atual:

Não embelezemos as portas das casas, não organizemos festas, nem adornemos as estradas, não dêmos banquetes em nosso proveito nem concertos para mero agrado dos ouvidos, não exageremos nos adornos nem nas comidas… e tudo isto enquanto outros padecem fome e necessidades, esses que nasceram do mesmo barro que nós. 

Que saibamos viver intensamente o verdadeiro espírito natalino!

Por professor Bruno Rafael

terça-feira, 14 de julho de 2015

A origem da Filosofia grega



 
A escola de Atenas (1509-1510)- Rafael Sanzio.


Talvez a maior contribuição dos gregos antigos para a civilização ocidental foi o surgimento da filosofia. A palavra Filosofia adquiriu vários sentidos, como por exemplo, visão de mundo e sabedoria ou experiência de vida. Quando falo de Filosofia refiro-me no esforço racional do homem para conhecer a realidade a partir de múltiplas perspectivas, ou seja, busca compreender os princípios, as causas e as condições das diversas questões humanas como, por exemplo, as religiões, valores éticos, políticos e até do próprio conhecimento que se pretende racional.

O nascimento da Filosofia

Antes precisa-se explicar o significado da palavra. Segundo Marilena Chauí (2010) Filosofia é composta por duas palavras gregas philo e sophía. Philo que quer dizer “aquele ou aquela que tem um sentimento amigável”, pois deriva de philia, que significa “amizade e amor fraterno”. Sophía que dizer “sabedoria”. Filosofia significa, portanto, “amizade pela sabedoria”, “amor e respeito pelo saber”.
Segundo os historiadores a filosofia nasceu no fim do século VII a.c e início do século VI a.c, nas colônias gregas da Ásia menor, na cidade de Mileto. E o primeiro filósofo foi Tales de Mileto.
Não quero entrar no mérito da questão sobre o nascimento da Filosofia ser na Grécia ou no oriente, pois parece ser um debate acalorado. Pode-se dizer que a Filosofia sofreu influência da sabedoria dos povos orientais. 

A Filosofia é filha da pólis grega

Como sabemos a primeira forma de tentar explicar a realidade foi o mito. E a Filosofia não rompe bruscamente com os mitos, pois este processo foi lento e gradual. Segundo Jean Pierre Vernat, em As origens do pensamento grego, esse pensamento racional chamado por Pitágoras de Filosofia foi propiciado pelas formas de organização social, política e econômica da cidade-estado; assim, pode-se afirmar que a filosofia é filha da pólis grega.
O aparecimento da polis constitui, na história do pensamento grego, um acontecimento decisivo. Certamente, no plano intelectual como no domínio das instituições, só no fim alcançará todas as suas consequências; a pólis conhecerá etapas múltiplas e formas variadas. Entretanto, desde o seu advento, que se pode situar entre os séculos VIII e VII, marca um começo, uma verdadeira invenção; por ela a vida social e as relações entre os homens tomam uma forma nova, cuja originalidade será plenamente sentida pelos gregos (VERNANT, 1998, p. 41).

Com o advento da democracia, especialmente, em Atenas a palavra humana não mais a divina passa a ser valorizada. Na Ágora (praça) aconteciam os debates valorizando a argumentação, contestação, discussão e polêmica pelos cidadãos. E isto foi fundamental para o desenvolvimento da filosofia. Além desse aspecto político outras condições que pode-se citar são: as viagens marítimas (permitiram verificar os mitos), invenção da moeda (capacidade de abstração), invenção do calendário, surgimento da vida urbana, a invenção da escrita alfabética.
Segundo a professora Marilena Chauí (2010) a filosofia grega é dividida nos seguintes períodos:
·         Período pré-socrático (Século VII ao fim do século V a.c)
·         Período socrático (Fim do século V a todo o século IV a.c)
·         Período sistemático (Fim do século IV ao fim do século III a.c)
·         Período helenístico ou greco-romano (Fim do século III a.c ao VI d.c)

Período pré-socrático

Os pré-socráticos


O primeiro período do pensamento grego toma a denominação substancial de período naturalista, porque a nascente especulação dos filósofos é instintivamente voltada para o mundo exterior, julgando-se encontrar aí também o princípio unitário de todas as coisas; e toma, outrossim, a denominação cronológica de período pré-socrático, porque precede Sócrates e os sofistas, que marcam uma mudança e um desenvolvimento e, por conseguinte, o começo de um novo período na história do pensamento grego. Vejamos alguns filósofos pré-socráticos:

Tales de Mileto

(624-548 A.C.) "Água"

Tales de Mileto, fenício de origem, é considerado o fundador da escola jônica. É o mais antigo filósofo grego. Tales não deixou nada escrito mas sabemos que ele ensinava ser a água a substância única de todas as coisas. A terra era concebida como um disco boiando sobre a água, no oceano. Cultivou também as matemáticas e a astronomia, predizendo, pela primeira vez, entre os gregos, os eclipses do sol e da lua. No plano da astronomia, fez estudos sobre solstícios a fim de elaborar um calendário, e examinou o movimento dos astros para orientar a navegação. Provavelmente nada escreveu. Por isso, do seu pensamento só restam interpretações formuladas por outros filósofos que lhe atribuíram uma idéia básica: a de que tudo se origina da água. Segundo Tales, a água, ao se resfriar, torna-se densa e dá origem à terra; ao se aquecer transforma-se em vapor e ar, que retornam como chuva quando novamente esfriados. Desse ciclo de seu movimento (vapor, chuva, rio, mar, terra) nascem as diversas formas de vida, vegetal e animal. A cosmologia de Tales pode ser resumida nas seguintes proposições: A terra flutua sobre a água; A água é a causa material de todas as coisas. Todas as coisas estão cheias de deuses. O imã possui vida, pois atrai o ferro.
Segundo Aristóteles sobre a teoria de Tales: elemento estático e elemento dinâmico. Elemento Estático - a flutuação sobre a água. Elemento Dinâmico - a geração e nutrição de todas as coisas pela água. Tales acreditava em uma "alma do mundo", havia um espírito divino que formava todas as coisas da água. Tales sustentava ser a água a substância de todas as coisas.

Anaximandro de Mileto (611-547 A.C.) "Ápeiron"

Anaximandro de Mileto, geógrafo, matemático, astrônomo e político, discípulo e sucessor de Tales e autor de um tratado Da Natureza, põe como princípio universal uma substância indefinida, o ápeiron (ilimitado), isto é, quantitativamente infinita e qualitativamente indeterminada. Deste ápeiron (ilimitado) primitivo, dotado de vida e imortalidade, por um processo de separação ou "segregação" derivam os diferentes corpos. Supõe também a geração espontânea dos seres vivos e a transformação dos peixes em homens. Anaximandro imagina a terra como um disco suspenso no ar. Eterno, o ápeiron está em constante movimento, e disto resulta uma série de pares opostos - água e fogo, frio e calor, etc. - que constituem o mundo. O ápeiron é assim algo abstrato, que não se fixa diretamente em nenhum elemento palpável da natureza. Com essa concepção, Anaximandro prossegue na mesma via de Tales, porém dando um passo a mais na direção da independência do "princípio" em relação às coisas particulares. Para ele, o princípio da "physis" (natureza) é o ápeiron (ilimitado). Atribui-se a Anaximandro a confecção de um mapa do mundo habitado, a introdução na Grécia do uso do gnômon (relógio de sol) e a medição das distâncias entre as estrelas e o cálculo de sua magnitude (é o iniciador da astronomia grega). Ampliando a visão de Tales, foi o primeiro a formular o conceito de uma lei universal presidindo o processo cósmico total. Diz-se também, que preveniu o povo de Esparta de um terremoto. Anaximandro julga que o elemento primordial seria o indeterminado (ápeiron), infinito e em movimento perpétuo.
Fragmentos
"Imortal...e imperecível (o ilimitado enquanto o divino) - Aristóteles, Física". Esta (a natureza do ilimitado, ele diz que) é sem idade e sem velhice. Hipólito, Refutação.

Anaxímenes de Mileto (588-524 A.C.) "Ar"

Segundo Anaxímenes, a arkhé (comando) que comanda o mundo é o ar, um elemento não tão abstrato como o ápeiron, nem palpável demais como a água. Tudo provém do ar, através de seus movimentos: o ar é respiração e é vida; o fogo é o ar rarefeito; a água, a terra, a pedra são formas cada vez mais condensadas do ar. As diversas coisas que existem, mesmo apresentando qualidades diferentes entre si, reduzem-se a variações quantitativas (mais raro, mais denso) desse único elemento. Atribuindo vida à matéria e identificando a divindade com o elemento primitivo gerador dos seres, os antigos jônios professavam o hilozoísmo e o panteísmo naturalista. Dedicou-se especialmente à meteorologia. Foi o primeiro a afirmar que a Lua recebe sua luz do Sol. Anaxímenes julga que o elemento primordial das coisas é o ar.
Fragmentos
"O contraído e condensado da matéria ele diz que é frio, e o ralo e o frouxo (é assim que ele expressa) é quente". (Plutarco). "Com nossa alma, que é ar, soberanamente nos mantém unidos, assim também todo o cosmo sopro.

Parmênides (515 – 445 a.C.)

Parmênides acreditava que tudo o que existe sempre existiu. Sendo que nada pode surgir do nada e nada que existe pode se transformar em nada. Ele considerava totalmente impossível qualquer transformação real das coisas. Nada pode se transformar em algo diferente do que já é.
A partir da premissa de que algo existe – É –, Parmênides deduziu que esse algo não pode também não existir – NÃO É -, pois isso envolveria uma contradição lógica. Portanto, seria impossível existir um estado do nada- NÃO HAVERIA UM VAZIO. Assim, algo não pode vir do nada: deve sempre ter existido em alguma forma.
É claro que Parmênides sabia que das constantes transformações que ocorrem na natureza. Mas ele não conseguia harmonizar isto com aquilo que sua razão lhe dizia. E quando era forçado a decidir se confiava nos sentidos ou na razão, decidia-se pela razão.
Todos nós conhecemos a frase: “Só acredito vendo”. Mas Parmênides não acreditava nem quando via. Ele dizia que os sentidos nos fornecem uma visão enganosa do mundo; uma visão que não está em conformidade com o que nos diz a razão.

Heráclito (535 – 475 a.C.)

 “Tudo flui”, dizia Heráclito. Tudo está em movimento e nada dura para sempre. Por esta razão, “não podemos entrar duas vezes no mesmo rio”. Isto porque quando entro pela segunda vez no rio, tanto eu quanto o rio já mudamos.
Heráclito entendia o mundo governado por um logos divino. Às vezes interpretado como “razão” ou “argumento”, considerava o logos uma lei universal, cósmica, de acordo com a qual todas as coisas começam a existir e todos os elementos materiais de universo são mantidos em equilíbrio.
Heráclito também nos chama a atenção para o fato de que o mundo está impregnado por constante opostos – dia e noite, quente e frio, por exemplo. Se nunca ficássemos doentes, não saberíamos o que significa saúde.
Tanto o bem quanto o mal são necessário ao todo, dizia Heráclito. Sem a constante interação dos opostos o mundo deixaria de existir.

Empédocles (490 – 430 a.C.)

Empédocles acreditava que a natureza possuía ao todo quatro elementos básicos, também chamados “raízes”. Estes quatro elementos era a terra, o ar, o fogo e a água.
Todas as transformações da natureza seriam resultado da combinação desses quatro elementos, que, depois, novamente se separavam um do outro. Pois tudo consiste em terra, ar, fogo e água, só que em diferentes proporções de mistura.
Esses elementos seriam movidos e misturados de diferentes maneiras em função de dois princípios universais opostos:
Amor: responsável pela força de atração e união e pelos movimentos de crescente harmonização das coisas;
Ódio: responsável pela força de repulsão e desagregação e pelo movimento de decadência, dissolução e separação das coisas.

Anaxágoras (500 – 428 a.C.)

Anaxágoras achava que a natureza era composta por uma infinidade de partículas minúsculas, invisíveis a olho nu. Tudo pode ser dividido em partes ainda menores, mas mesmo na menor das partes existe um pouco de tudo.
Anaxágoras também imaginou um tipo de força que seria responsável, por assim dizer, pela ordem e pela criação de homens, animais, flores e árvores. A esta força ele deu o nome de inteligência.

Demócrito (460 – 370 a.C.)

Afirmou que todas as coisas eram constituídas por uma infinidade de pedrinhas minúsculas, invisíveis, cada uma delas sendo eterna e imutável. A estas unidades mínimas Demócrito Deu o nome de átomos. A palavra átomo significa “indivisível”.
Além disso, as “pedrinhas” constituintes da natureza tinham que ser eternas, pois nada pode surgir do nada. Sendo que essas “pedrinhas”, segundo Demócrito, possuíam formatos diferentes: alguns arredondados e lisos outros irregulares e retorcidos. E por suas formas serem tão irregulares é que eles podiam ser combinados para dar origem aos mais variados corpos.
Demócrito acreditava que a alma era composta por alguns átomos particularmente arredondados e lisos, os “átomos da alma”. Quando uma pessoa morre, os átomos de sua alma espalham-se para todas as direções e podem agregar a outra alma, no mesmo momento em que é formada.

Veremos de forma mais que resumida os três principais filósofos gregos e que mais influenciaram o pensamento ocidental seja na arte, ética, política e na religião. Foram Sócrates, Platão e Aristóteles.

Sócrates (470-399 a.c)

Sócrates


Sócrates foi um filósofo que se preocupou com as questões antropológicas, ou seja, o centro de suas reflexões foi o homem em seus diversos aspectos. Ele não escreveu nada e o que se sabe sobre ele, deve-se aos escritos do seu discípulo Platão. Sócrates era de origem humilde, andava pelas praças, mercados, assembleias questionando seus interlocutores sobre o que é a coragem? O que é a beleza? Ele fazia essas perguntas para mostrar aos seus contemporâneos que eles nunca haviam refletido sobre os valores que diziam verdadeiros. Quando perguntavam a ele sempre respondia que não sabia e por isso perguntava. Donde surge a famosa expressão atribuída a ele quando respondeu a pergunta da sibila no templo de Apolo: “Só sei que nada sei”.
Para ele a consciência da ignorância era o início da filosofia. Procurava a definição, ou seja, a essência de uma ideia, por exemplo. E pensar é sempre um risco. Risco para quem pensa e também para os poderosos que historicamente não querem que os subalternos pensem. Por isso se você não gosta de pensar não estude filosofia. Os poderosos de Atenas acusaram nosso filósofo de corromper a juventude, desrespeitar os deuses e violar as leis.
Sócrates foi levado ao julgamento e foi condenado ao envenenamento. Se você deseja conhecer o julgamento e morte de Sócrates leia a obra de Platão com o título de Apologia de Sócrates. 

Platão (427-347 a.c)

Platão

Platão foi discípulo de Sócrates e escreveu vários textos entre os mais conhecidos temos A República e o Banquete. Para um aprofundamento das suas ideias aconselho ler estas e outras obras do filósofo que fundou a Academia em Atenas. Platão acreditava que os fenômenos eram transitórios e passageiros. Que a realidade era uma cópia imperfeita das suais ideias presentes no mundo das ideias. Platão também ficou conhecido pelo famoso mito da caverna descrito no livro A república. Nesta metáfora enfatiza a importância do filósofo como aquele que liberta as pessoas da mera aparência e as traz à luz da verdade. O instrumento para a libertação das pessoas que contemplam apenas as sombras da realidade é a filosofia.

Aristóteles (384-322 a.c)

Aristóteles


Ao contrário de Platão Aristóteles buscou compreender a realidade não a partir do mundo das ideias, mas a partir da própria realidade. Ele sempre valorizou o equilíbrio do ser. Deve-se a ele o desenvolvimento da lógica, ciência e da ética.

Por professor Bruno Rafael

Referências

CHAUI, Marilena. Iniciação à Filosofia: ensino médio, volume único. São Paulo: Ática, 2010. 

VERNANT, Jean Pierre. As origens do pensamento grego.10.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

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