quinta-feira, 4 de maio de 2017

Atividade com usos de documentos históricos sobre a produção açucareira na América portuguesa



 A importância e objetivos
A atividade visa oportunizar os estudantes a desenvolver a capacidade de análise e interpretação de documentos históricos.  Esse tipo de trabalho não tem o objetivo de torná-los pequenos historiadores, mas através dele promover a produção do saber histórico escolar tornando os educandos sujeitos ativos do conhecimento. É interessante as hipóteses que aparecem nos escritos deles. Dessa forma, eles percebem que a História é construída a partir de fontes.

Sugestões
 Sugiro que essa atividade seja proposta após a discussão com eles sobre a produção da economia açucareira. Na aula expositiva e dialogada pode-se enfatizar a mão de obra empregada, bem como, as atividades dos engenhos. Essa proposta foi utilizada com as turmas do 2º ano do Ensino Médio, mas pode ser adaptada para os 7º anos do Ensino Fundamental. Cabe ao professor aprimorar e adaptar de acordo com as turmas. Tive que fazer a atividade simples, pois os estudantes não estão habituados ao trabalho com fontes históricos. Os resultados e a satisfação deles confirmam a necessidade dos usos de documentos em sala de aula nas aulas de História.

 Atividade com fontes históricas do período colonial


O paisagista holandês Frans Post foi o primeiro artista a registrar imagens do Brasil colonial. Suas pinturas mostram paisagens, engenhos e a escravidão do Nordeste açucareiro do século XVII. Frans Post (1612-1680) veio para o “Brasil”, em 1637, junto com a comitiva do governador holandês, de Maurício de Nassau, à época da ocupação holandesa no Nordeste (1630-1654). Durante os sete anos que permaneceu no “Brasil”, Frans Post pintou paisagens, vistas de portos, fortificações e engenhos tendo o cuidado em reproduzir detalhes da topografia, fauna e flora. De volta à Holanda, continuou pintando cenas “brasileiras”, baseando-se em esboços e desenhos. Ilustrou a obra de Gaspar Barlaeus, “História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil” (1647), um relato do governo de Nassau na história do “Brasil”. Observe a imagem que ele pintou para o mapa de Gaspar Barlaeus.


Engenho de Itamaracá, de Frans Post para o mapa de Gaspar Barlaeus, 1647

Fonte:



O textos que se seguem foram retirados da obra do jesuíta italiano André João Antonil: Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. Essa obra foi publicada em Lisboa no ano de 1711 e trata dos aspectos econômicos e sociais da colônia. Devido os detalhes que foram divulgados no livro a coroa portuguesa resolveu tirá-lo de circulação. Ele só foi reeditado em 1837 na cidade do Rio de Janeiro. É uma obra fundamental para compreender o período colonial. O jesuíta chegou na Bahia em 1681 e faleceu na mesma capitania em 1716. Leia alguns trechos da obra:

“Servem ao senhor do engenho, em vários ofícios, além dos escravos de enxada e foice que têm nas suas fazendas e na moenda, e fora os mulatos e mulatas, negros e negras de casa, ou ocupados em outras partes, barqueiros, canoeiros, calafates, carapinas, carreiros, oleiros, vaqueiros, pastores e pescadores. Tem mais, cada senhor destes, necessariamente, um mestre de açúcar, um banqueiro e um contrabanqueiro, um purgador, um caixeiro no engenho e outro na cidade [...]” (ANTONIL, A. Cultura e opulência no Brasil. 2011, p. 83-84).

O feitor da moenda chama ao seu tempo as escravas, recebe a cana e a manda vir e meter bem nos eixos e tirar o bagaço, atentando que as negras não durmam, pelo perigo que há de ficarem presas e moídas, se lhes não cortarem as mãos, quando isto suceda, e mandando juntamente divertir a água da roda que pare” (p. 98-99).

“O lugar de maior perigo que há no engenho é o da moenda, porque, se por desgraça a escrava que mete a cana entre os eixos, ou por força do sono, ou por cansada, ou por qualquer outro descuido, meteu desatentamente a mão mais adiante do que devia, arrisca-se a passar moída entre os eixos, se lhe não cortarem logo a mão ou o braço apanhado, tendo para isso junto da moenda um facão [...]” (p. 138).

“Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente” (p. 106).

A partir da leitura da imagem do Frans Post e dos escritos de Antonil responda as seguintes questões:
 a) Com relação à casa de moenda em que pessoas colocam a cana qual a diferença principal no que é sugerido pela imagem e o que o texto escrito apresenta?
 b) A imagem sugere um ambiente harmonioso e equilibrado. Isso corresponde à realidade histórica? 
  c)  A partir da leitura do texto do jesuíta Antonil quais os outros tipos de trabalho eram exercidos nos engenhos?
 d) Aconteciam muitos acidentes nos engenhos? Quais as causas? 
  e)  O que seriam os edifícios ao fundo no canto direito da imagem, ou seja, o esquerdo do observador? 
  f)  Ao observar a imagem a sua hipótese é de que o engenho é de um senhor rico ou de um não tão rico? Justifique a sua resposta. 
 g) Explique a frase: “Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente”.
         h)   Quais as diferenças entre os trabalhadores dos engenhos e os atuais?

Professor Bruno Rafael Machado Nascimento

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